sábado, 24 de maio de 2008
Ying Jow Pai - Brasil no programa Vida e Saúde
Em 24 de Maio foi exibida no canal 12, RBS TV ,uma reportagem sobre o kung fu, da qual nossa escola participou. Foram feitas demonstrações de várias formas com armas e aplicações de mãos, além de entrevistas falando sobre a arte marcial e seus benefícios.
sexta-feira, 4 de abril de 2008
O Tigre e o Dragão
O comentário segue na íntegra:
Iniciarei pela ficha técnica, assim como o comentário de outros críticos.
Ficha Técnica
Gênero: Ação
Tempo de Duração: 120 minutos
Ano de Lançamento (Taiwan): 2000
Site Oficial: www.crouchingtiger.com
Estúdio: Columbia Pictures Film Production Asia / Sony Pictures Classics / Asia Union Film & Entertainment Ltd. / China Film Co-Production Corporation / Edko Films / Good Machine / United China Vision / Zoom Hunt International Productions Company, Ltd.
Distribuição: Sony Pictures Classics
Direção: Ang Lee
Roteiro: Hui-Ling Wang, James Schamus e Juo Jung Tsai, baseado em livro de Du Lu Wang
Produção: Li-Kong Hsu, William Kong e Ang Lee
Música: Tan Dun
Direção de Fotografia: Peter Pau
Desenho de Produção: Timmy Yip
Figurino: Timmy Yip
Edição: Tim Squyres
Efeitos Especiais: Blue Sky Studios / MVFX

Chow Yun-Fat (Li Mu Bai)
Michelle Yeoh (Yu Shu Lien)
Zhang Ziyi (Jen)
Chang Chen (Lo)
Lung Sihung (Sir Te)
Cheng Pei Pei (Jade Fox)
Fazeng Li (Governador Yu)
Gao Zian (Bo)
Hai Yan (Madame Yu)
Wang Deming (Tsai)
Li Li (May)
A novela inspirou a criação de um filme dirigido por Ang Lee
Com base em um romance épico de cinco volumes do escritor Wang Du Lu, o filme, falado em mandarim, retrata a China no início do século XIX, através da disputa de dois casais de guerreiros por uma espada lendária, roubada após o mestre de artes marciais Li Um Bai decidir se afastar das lutas e combates. A suspeita do furto recai sobre a guerreira bruxa Jade Fox, que no passado assassinou o mestre de Li Um Bai.
O filme se destaca pela bela mescla entre romance e artes marciais, onde a principal atração é representada por interessantes cenas de lutas que superam a lei da gravidade. A técnica para tais efeitos utilizou cordas (retiradas digitalmente das cenas) que, movimentadas por um grande guindaste, suspendiam os atores numa velocidade impressionante, fornecendo uma plástica singular, através de movimentos com muita leveza para os embates.
Outro ponto forte do filme é a fotografia, com belíssimas tomadas de regiões desérticas da China.
O "KUNG-FU" AO LONGO DA HISTÓRIA
A época retratada pelo filme (início do século XIX), é marcada pela Dinastia Qing (1644 -1911), responsável pelo início da decadência do kung-fu no Império Chinês sob domínio manchu.
A prática do kung-fu na China, iniciou-se no século XI a. C. com a Dinastia Zhou, tornando-se posteriormente uma exigência para formação do exército. Essa arte marcial ganhou impulso entre os séculos VII e IX com a Dinastia Tang, onde todos os oficiais e soldados deveriam passar por testes antes de serem promovidos. Ao longo da Dinastia Ming (1368-1644), o kung-fu ainda prosperou, entrando em decadência na Dinastia Qing (1644-1911), quando foi proibido por todos imperadores.
Restabelecido em 1912 após a proclamação da República, o kung-fu foi preterido com a ascensão dos comunistas em 1949, quando muitos mestres por motivos políticos, emigraram para Taiwan e para Hong-Kong.
http://www.adorocinema.com/filmes/tigre-e-dragao/tigre-e-dragao.htm
Ainda em:
www.cinedie.com/images/cthd.jpg
A expressão chinesa que dá nome ao filme sugere cautela perante perigos dissimulados ou pessoas que podem não ser o que parecem. Mas Lee joga com outros conceitos, especialmente o de desejo reprimido. Pelos próprios (Shu Lien e Mu Bai) ou pelos valores da sociedade e da família (Jen). Este desejo de liberdade é personificado pela personagem de Jen, cujo nome chinês é Yu Jiaolong (long = dragão), não se encontrando nenhuma justificação óbvia para a “adaptação” na legendagem (que, obviamente, vem da versão inglesa). Ela quer ser livre para amar quem quiser (Lo), mas também para fazer o que bem entender, sem respeito pelas normas de conduta do mundo a que quer pertencer, sem dar “face” a opositores ou àqueles que com ela se preocupam. Para ela, o caminho da liberdade passa pela ruptura com a família e com a sociedade aristocrática a que pertence, e pela entrada no “jiang hu”. Ironicamente, Mu Bai e Shu Lien – os quais perseguem o “dragão” –, pertencem a esse mundo, mas isso não os torna mais livres, pois permanecem constritos por convenções que os forçam a não resolver a longa repressão de sentimentos
A definição das personagens é essencial às artes marciais. A personalidade e a formação/treino nas artes definem o modo como cada guerreiro luta. Shu Lien está mais presa à terra (e à memória do noivo), sendo tal notório na cena da perseguição ao ladrão da Destino Verde. Jen, pelo contrário, não tem nada que a prenda, estando disposta a abandonar tudo e (provavelmente) todos, daí a sua maior leveza. Os combates em si funcionam como um libertar de frustrações. No fundo, é como se estivéssemos perante um convencional drama de época, com os conflitos familiares, rupturas de relações, gritos e lágrimas, substituídos por artes marciais.
Neste comentário sobre o filme "O Tigre e o Dragão", vou abster-me de contar a história, vou deter-me apenas sobre os personagens e suas relações.
A narrativa da história possui uma característica de Wushia, que poderiam ser interpretadas como "novelas chinesas", ou narrativas "cavalheirescas" dos antigos lutadores, exaltando sua virtudes. Então, ao interpretar a história, devemos levar em conta estas características.
O primeiro ponto que considero relevante se refere ao fato de que a trama se desenvolve em torno de quatro personagens, divididos em dois casais.
Segundo o "Dicionáro de Símbolos" de J. Chevalier e A. Gheerbrant, "desde as épocas vizinhas da pré-história, o 4 foi utilizado para significar o sólido, o tangível, o sensível. Sua relação com a cruz fazia dele um símbolo comparável de plenitude, de universalidade, um símbolo totalizador."
Das relações de casal e sua diferenças, tratarei ao final do artigo.
Primeiramente, tratarei das carcterísticas principais destas 4 personagens.
Li Mu Bai é discípulo de um mestre do templo Wudam, famoso por suas técnicas de espada. Seu mestre havia sido morto por Jade Fox, sua esposa, que desejava aprender, mas o conhecimento lhe fora negado; ela então, envenena seu esposo e lhe rouba suas "anotações".
Como em toda a Wushia, Li Mu Bai deverá vingar seu antigo mestre, mas depara-se com um conflito, está envelhecendo e deseja deixar a espada e viver em paz, ao lado da mulher que ama, mas, ao mesmo tempo, não possui descendentes em sua arte e este desejo lhe faz incorrer em erro.
Jen è uma personagem interessante: culta, filha de um governador, prometida em um casamento político, deseja ser livre, viver a vida dos lutadores, mas sem compromissos ou barreiras. Tem como governanta Jade Fox, que após matar o esposo se refugia na casa do governador. Juntas, procuram decifrar as "anotações" do antigo mestre, mas há uma diferença forte que afasta as duas mulheres.
A escrita "chinesa" é composta de símbolos e pode conter determinada sutileza em seus traços caso seja da capacidade de seu autor, assim como também da capacidade de seu leitor; assim, o que acontece entre "mestra" (Jade Fox) e discípula (Jen) é que a segunda consegue "ler" detalhes incutidos nos antigos alfarrábios que sua mestra nem sequer sonha.
Este pequeno detalhe causa-lhe uma empáfia ou orgulho que será o agente "detonador" de todas as situações "problema" na narrativa. Possui um treinamento, mas está incompleto, não aprende por uma relação, o que lhe gera desconfiança e descontrole, ao mesmo tempo em que possui um conhecimento parcial e tem nas mãos uma arma poderosa, o que a deixa invencível perante outros.
Sobre a espada, já havia comentado sobre a notoriedade da escola Wudam sobre esta técnica. cabe destacar que os chineses atribuem um "alma" própria às armas, sendo vedado o toque à sua lâmina, justamente para não "macular" tal "espírito".
A personagem Yu Shu Lien considero a mais difícil de ser comentada porque encarna um ideal dos praticantes de artes marciais: equilibrada, procura resolver as questões de forma diplomática sem mexer nas estruturas políticas e nos interesses individuais.
Neste sentido, uma das cenas chama a atenção; por ser uma personagem tão comprometida com determinados ideais, isto acaba gerando uma oposição natural com Jen, que é demonstrada pela cena e o vídeo que postei aqui.
Existem várias oposições entre as duas personagens, mas a gota d'água parece ser a insistência de Jen em interpretar as situações como "armadilhas" onde outros desejam comprometê-la.
A superioridade técnica de Yu Shu Lien é evidente no combate, ele inicia-se com uma batida de dao (facão), o que é uma marca típica de uma "lição" que um mestre dá a um aluno.
Devo lembrar que este combate é mais um capítulo de nossa Wushia, pois combates de armas não devem ultrapassar 15 segundos.
"Acerta-se a mão do oponente e o combate termina", explicou-me um amigo, professor do estilo Shaolim do Norte, em contato com seu mestre.
Mas o filme pretende fazer uma demonstração de armas e técnicas e, como coloquei anteriormente, deixar bem marcada a superioridade técnica de Yu Shu Lien sobre sua oponente, pois maneja várias armas: dao, futao changao, cheung, dui quan, Jor Yow Gim (respectivamente: facão, facão duplo, garra de tigre, lança, pequeno bastão e espada longa), Jen consegue uma aparente vitória atravéz de um "rompimento de regras", quando Yu Shu Lien já havia demonstrado sua vitória. Mais uma vez, neste momento, Jen demonstra o comportamento que lhe é característico na história; o rompimento de acordos ou a fuga quando é confrontada.
Lo é um habitante do deserto: órfão, bom vivant, ladrão, não consegue expressar-se adequadamente quando o assunto trata de sentimentos (pois o mesmo vive a aridez do deserto!); então, "seduz" seu objeto de desejo roubando-lhe um pente (!), Jen, também infantil sentimentalmente o persegue durante um dia inteiro: "devolva-me o meu pente"(!). Depois de muitos socos, chutes, fugas e facadas, finalmente o jovem casal consuma sua união.Lo deixa que seu objeto de desejo vá embora, a fim de contrair as núpcias as quais era comprometida, para depois, no dia do casamento, arrepender-se (?) e, de forma dramática, pública e impotente clamar pelo retorno de seu amor.
Primeiramente, irei comentar as relações de casal entre os dois principais casais do filme.
Acho interessante comentar que até agora só encontrei críticas ao filme que atentam ao fato de que a relação entre Li Mu Bai e Yu Shu Lien não possui uma manifestação sexual, só que esta é colocada como uma "falta de realização".
Eu discordo desta maneira de ver.
Acho que Li Mu Bai e Yu Shu Lien realizam a relação de maneira bastante madura, levando em consideração os limites impostos socialmente.
Em uma época onde barreiras ou convenções sociais são constantemente ignorados em nome "de uma grande paixão" ou de "uma atração irresistível", realmente deve ser muito difícil aceitar que as pessoas possam "viver seus amores" de outras formas que não incluam a realização sexual.Neste sentido, há um momento bastante marcante no filme, onde o casal está tomando chá e Li Mu Bai segura a mão de Yu Shu Lien e diz que as realizações físicas são ilusórias, mas é ao lado dela que ele quer viver e sente-se em paz. Nota-se que cada indivíduo possui sua próprias realizações, sentem-se seguros e não há vínculos de dependência.
Esta relação de casal é compensatória à relação do jovem casal; onde nota-se claramente, desde o primeiro momento, a necessidade de "disfarçar" ou "esconder" seus sentimentos, como se a possibilidade de revelá-los troxesse à tona uma grande fragilidade e dependência, onde o outro certamente manipularia, então, estabelece-se um jogo de "quero não-quero".Jen e Lo amam-se e querem permanecer unidos, mas aparentemente não podem falar sobre isto, preferem representar um papel, como se a relação lhes fosse indiferente.
Nas cenas finais do filme, esta diferença aparece de forma forte.
E para compreendermos o que diz Li Mu Bai para Yu Shu Lien em seus momentos finais de vida, teremos que compreender também a perspctiva religiosa oriental (clássica).Espero que os estudiosos perdoem a maneira superficial como tratarei o tema.
Não importando o nome que é dado a esta busca (Deus, Alá ou terminações "ismo") a grande maioria do movimento religioso ocidental possui uma orientação extrovertida, como abusca de uma instância metafísica que possui uma existência "fora de nós", seja que nome possua esta instância (espíritos, o amor, Deus, bens materiais - como representantes de um bem-estar completo - ou movimentos políticos, ideais, a aprovação e reconhecimento, etc, etc). Enquanto isto, a existência e realidades internas esvaziam-se de significados (sonhos, fantasias e imaginações), e forma-se um grande "vazio interno" povoado de fantasmas ou como é chamado popularmente, de "trabalho do diabo", espaço propício para para todo o tipo de doença psíquica, ou, em sua forma mais aceitável, o consumismo.
Já o que as religiões orientais clássicas possuem em comum é uma orientação introvertida da energia psíquica (conpensatória à forma ocidental), onde o equilíbrio, o bem-estar é procurado dentro do indivíduo. É valorizada a relação com a imaginação, os sonhos a meditação, em detrimento à relação com os objetos externos.
Wudan é um templo taoísta, enquanto Shaolim representaria o budismo.
Devo confessar que desconheço publicações mais extensas a respeito do taoísmo, mas, do pouco que conheço o budismo ( e devo lembrar que são mais de 400 correntes diferentes), a vida e a morte representam "facetas" da mesma "roda",mas, diferentemente dos ocidentais, os orientais não buscam o renascimento ou reencarnação, por entenderem que a vida carrega consigo, naturalmente a geração de um ego carregado de desejos e paixões ilusórias; logo, o renascimento seria um "convite" a uma série de sofrimentos. Não deve ser desejada a morte também; mas a vida deve ser vista como uma grande preparação onde a morte representa seu ponto culminante. A pessoa deve tentar se manter o mais consciente e concentrada possível, a fim de reconhecer as ilusões que sua alma formará e assim, obter a iluminação.
Então, em nossa história, Li Mu Bai avisa a Yu Shu Lien que só possui duas respirações, ao que ela pede-lhe que as poupe, a fim de obter mais concentração. Neste momento ele diz que prefere ser um fantasma a rodeá-la do que permanecer no Nirvana sem ela.
Diferente de Jen e Lo, que depois disto, encontram-se no templo Wudam.
Jen pergunta o que Lo deseja, ao que ele responde: "Voltar para o deserto!". Talvez a vida ao lado de Jen seja importante, mas o primordial para Lo é o lugar onde ele vive, e não suas relações.
Terminado este comentário sobre as particularidades de cada casal, retorno ao que foi comentado sobre o símbolo do número 4, em meu último artigo. Os casais representam uma oposição complementar, onde, se houvesse uma abertura para que cada indivíduo reconhecesse seus aspectos sombrios, haveria uma ampla integração.
Agora é o momento de introduzir o elemento desorganizador, a personagem Jade Fox.
Segundo o "Dicionário de Símbolos" (mesmos autores já citados), "Na China,(...) 5 é o número do Centro. Encontra-se na casa central de Lochu. O caracter wu (cinco) primitivo é, precisamente, a cruz dos quatro elementos, aos quais se junta o centro. Numa fase ulterior, dois traços paralelos aí se unem: o Céu e a Terra entre os quais o yin e o yang produzem os cinco agentes. Também os antigos autores asseguram que debaixo do céu, as leis universais são em número de cinco. Há cinco cores, cinco sabores, cinco tons, cinco metais, cinco vísceras, cinco planetas, cinco orientes, cinco regiões do espaço e, naturalmente, cinco sentidos. Cinco é o número da Terra. É a soma das quatro regiões cardeais e do centro, o universo manifestado. Mas é também a soma de dois e de três, que são a Terra e o Céu na sua natureza própria : conjunção, casamento do yin e do yang, do T'ien e do Ti. É também o número fundamental das sociedades secretas. É essa união que as cinco cores do arco-íris simbolizam. Cinco é, ainda, o número do coração."
Quando se introduz a personagem Jade Fox e sua dinâmica, precisa-se entender que cada personagem possui sua própria característica, suas razões e conseqüências.
Quando se analisa as relações, a partir da introdução da personagem, observa-se o seguinte:
1) Jade Fox possui relação com Jen e Li Mu Bai;
2) Li Mu Bai possui relação com Jen, Yu Shu Lien e Jade Fox;
3) Yu Shu Lien possui relação com Li Mu Bai e Jen;
4) Lo possui relação com Jen;
Ou seja, Jen passa a ser a personagem central da história (aquela que possui relação com todos os outros).
"Tigre Agachado, Dragão Escondido", título da narrativa em inglês, agora passa a fazer sentido, quando a ação "agachado" ou "escondido" pode se referir a uma reação ao medo através de uma preparação para um ataque ou fuga. Aqui nos defrontamos com as reações instintivas diante dos sentimentos.
Jade Fox é uma personagem quase tão complexa quanto as demais, porém reflete características femininas em seus aspectos mais sombrios. Une-se maritalmente à um mestre, na expectativa de aprender a arte, em vez de procurá-lo como aluna (daí talvez a dificuldade de Li Mu Bai, além das imposições sociais, de unir-se a Yu Shu Lien), ressente-se da negativa do esposo e o envenena, matando-o.
Jade Fox é uma personagem que costuma reagir às situações que a vida apresenta propondo um "espelhamento" (o que geralmente é o papel realizado pelas personagens que representam oposições em contos orientais) ao que ela sente.
Jade Fox sente-se aviltada em sua feminilidade pela recusa do esposo em repartir seu poder, acusa o templo Wudan de ser um prostíbulo, onde, provavelmente, se sente abusada em sua intimidade, então reage à forma feminina; devo lembrar que as mulheres não dispõem de força física, como os homens, então Jade Fox utiliza-se desta mesma intimidade para introduzir veneno em sua comida.
O veneno aqui poderia ter um significado muito amplo.As pessoas contaminadas pelo veneno (que pode ser através da comida, ou contato, ou relação com alguma coisa) podem passar a perceber a realidade de outra forma que não seja a sua, usualmente. No caso desta relação, a conseqüência é fatal.
Jade Fox, muito habilmente, utiliza-se do desejo ou dependência dos outros para manipular as situações a fim de alcançar seus objetivos: utiliza-se do desejo de sua discípula de ser livre para obter refúgio em sua casa, assim como ter acesso aos livros de seu falecido esposo.
Utiliza-se do desejo de vingança de um policial para matá-lo, e retorna, ao final do filme, utilizando-se do desejo de Li Mu Bai em provar para Jen do seu valor como mestre para cercá-lo em uma armadilha.
Percebo que de alguma forma, pulamos repentinamente para a possibilidade de chegarmos às conclusões que a história nos traz.
Analisando os desejos de cada personagem, concluímos:
1) o desejo de Li Mu Bai em ter um discípulo lhe traz uma armadilha.
Nesta, lhe é inoculado um veneno. O que este veneno faz?
O veneno inverte o fluxo sanguíneo. Na vida, AS COISAS POSSUEM UM FLUXO NATURAL, e, quando é o mestre quem quer ensinar ao aluno, este fluxo é invertido, o que irá retirar todo o valor que este mestre poderá ter. Isto "mata" o valor do mestre, e retira-lhe a "vida".Na história, é Jen quem conhece o antídoto para o veneno, mas este é demorado para confeccionar. O tempo que este antídoto requer não é curto o suficiente para salvar a vida de Li Mu Bai. Finalmente Jen poderá reconhecer o valor de um mestre, mas "é tarde demais".Este reconhecimento surge só depois que sua antiga mestra confessa o desejo de matá-la, por sua traição.
2) O desejo de Jade Fox em obter o conhecimento a qualquer preço, sem ter a humildade de colocar-se como aluna irá gerar uma recusa constante daqueles que detém o conhecimento e então depois virá o ressentimento que será sempre como um "veneno" em seu sangue, que destrói a relação com todos. Por outro lado, na sua relação com seus alunos, sua atitude gera onipotência por parte deles, falta de limites exagerada, uma impossibilidade de reconhecimento de relações hierárquicas. Jade Fox falece, atingida pela espada (arma mais famosa de Wudam, como um lembrete da importância do lugar o qual ela tanto desprezava), atirada sobre vasos de barro que "quebram" como também estilhaçaram-se suas expectativas com relação à sua mais próxima discípula.
3) Lo deseja "retornar para o deserto" que, provavelmente, é o que acontecerá.
4) Jen deseja ser livre. Seus pais a haviam prometido em casamento à um rico comerciante, ela foge do casamento porque imagina que é na vida dos "jiang hu" que poderá ser livre. No entanto, sua mestra deseja que ela lhe obedeça, Li Mu Bai deseja ensiná-la, ser um "jiang hu" possui suas obrigações e regras de comportamento, e até mesmo Lo quer que ela retorne ao deserto; nota que as relações estão cheias de desejos, então, "voa" sobre Wudan, na esperança de que se cumpra o seu desejo.
5) E Yu Shu Lien não possui desejos? Como qualquer mortal que possua um ego, sim. Mas estes não a possuem, ela continua ensinando em sua escola, conduzindo os negócios de seu falecido pai..., enfim, apesar de seus desejos, continua vivendo sua vida.
Noto, então que em toda a narrativa existem inúmeros detalhes, mas a história possui algumas conclusões importantes:
A) É através dos desejos que se estabelecem as possibilidades de frustrações e as fragilidades de cada indivíduo.
B) As relações contém posições hierárquicas que determinam o fluxo dos acontecimentos, estas posições e atitudes devem ser consideradas a fim de evitar resultados desagradáveis, ou por vezes, desastrosos.
Uma vez que entendemos estes ciclos e posições, os conflitos e sofrimentos tornam-se mais amenos. Nossa compreensão da vida torna-se mais ampla.
Através da tendência à extroversão da energia, típica do comportamento ocidental, que temos a propensão da responsabilizar os outros pelas conseqüências de nossas próprias escolhas. Daí a máxima proferida por Freud, que diz que precisamos nos dar conta da mesma coisa muitas vezes; o que significa que há uma possibilidade de que passemos pelas mesmas experiências e mesmas resultados sem atentar para o fato de que estamos sendo responsáveis pela sucessão de resultados.
É quando uma pessoa possui a liberdade para ser o que é e fazer o que quer que ela têm a possibilidade de defrontar-se com as conseqüências geradas pelas suas escolhas; e mesmo assim, isto não representa uma garantia de que ela aprenda alguma coisa a seu próprio respeito.
Por isso é que diversas culturas atentam para o exemplo das pessoas idosas, elas são o resultado vivo de suas próprias escolhas.
O que acho particularmente representativo na Wushia "O Tigre e o Dragão" é que, diferentemente da cultura ocidental, a história nos mostra causa, desenvolvimento e conseqüência gerada. Não é uma questão de bem ou mal, mas uma questão de escolhas. Todos os personagens possuem sua própria lógica.
domingo, 30 de março de 2008
Ópera Chinesa em Poa
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Bom espetáculo!
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008
Novo vídeo
terça-feira, 29 de janeiro de 2008
Kung fu Louva-à-Deus
Clássicos do Kung fu - 26/1/2008

Dando sequência ao sessões anteriores, dessa vez assistimos ao filme ``Era uma vez na China´´, primeiro de uma série de quatro , com tema semelhante: a vida de Wong Fei Hung, um Mestre de Kung fu, muito conhecido na China do século 19 por suas ações em defesa da sociedade chinesa. Certamente essa obra é conhecida por todos ,devido à sua música-tema ser muito tocada em sala de aula.
Era uma vez na china ( Jet Li )
Título Inglês:
Once Upon A Time in China I
Ano: 1991
Diretor: Tsui Kark
Sinopse:
Os estrangeiros estão ameaçando a soberania da China e estão explorando as pessoas pelo comércio de ópio e trabalho escravo. O lendário Wong Fei Hung (Jet Li) é instruído pelo líder local para defender a região. Quando os funcionários estrangeiros corruptos contratam um especialista
Ano: 1991
Elenco: Jet Li, Simon Yan, Jackie Cheung, Kent Cheng, Yuen Biao
No Youtube ( introdução e música):sábado, 19 de janeiro de 2008
Clássicos do Kung fu no Verão - 19/1/2008
`` Punhos de Aço´´ filme com Jet Li e Hu Jianqiang, representando respectivamente monges-lutadores dos Templos de Shaolin do Norte e do Sul.












